Como trabalhar com um intérprete
Trabalhar com um intérprete ajuda você a se comunicar de forma eficaz com pessoas que falam um idioma diferente do seu. Os intérpretes não são participantes da conversa; são uma ponte.
Um intérprete certificado pela NAATI:
- prepara‑se para a tarefa pesquisando o tema a partir do briefing recebido
- interpreta tudo com precisão e imparcialidade
- não acrescenta, omite ou altera informações, nem dá opiniões, conselhos ou explicações
- pede esclarecimentos ou repetição, quando necessário, para garantir a precisão
- gere situações em que haja sobreposição de fala
- mantém confidenciais todas as informações da tarefa, inclusive o que for dito durante a sessão.
Trate o intérprete com respeito e siga estas orientações para garantir uma experiência profissional para todos os envolvidos.
Antes da sessão
Escolha o modo de interpretação adequado e o local
Ao contratar um intérprete, confirme qual será o modo de interpretação a ser utilizado, como você espera que o intérprete participe e se os equipamentos necessários estarão disponíveis. Se tiver dúvidas, o prestador de serviços linguísticos ou o intérprete pode orientar quanto à melhor abordagem.
Modo de interpretação
Interpretação consecutiva: o intérprete espera o orador pausar antes de interpretar o que foi dito. Este modo é normalmente utilizado em consultas ou reuniões pequenas. A sessão costuma durar cerca do dobro do tempo de uma conversa em um só idioma; portanto, reserve tempo extra na agenda.
Interpretação simultânea: o intérprete traduz em tempo real, normalmente utilizando equipamento especializado, como headsets ou cabines de interpretação. Este modo é indicado para reuniões maiores, conferências ou debates em grupo, quando é preciso manter o fluxo da comunicação. Como se trata de um trabalho mentalmente exigente, recomenda‑se ter pelo menos dois intérpretes que se revezem para manter a precisão e evitar a fadiga.
Modos de prestação de serviços de interpretação
Presencial (no local ou em pessoa): a interpretação presencial é a melhor opção para situações complexas, pois permite captar sinais não verbais, como linguagem corporal. O intérprete estará no mesmo local que você. A disponibilidade pode ser limitada em áreas rurais ou em determinadas combinações de idiomas.
Vídeo: a interpretação em vídeo é a segunda melhor opção depois da interpretação presencial. Ela permite que os intérpretes continuem a captar os sinais não verbais dos participantes. Útil quando intérpretes presenciais não estão disponíveis, especialmente para marcações de última hora ou para idiomas com pouca disponibilidade de intérpretes. Adequada para Auslan e línguas faladas, mas requer conexão de internet estável e equipamento adequado.
Telefone: é a forma de interpretação mais facilmente disponível. É mais indicada para comunicações curtas e não complexas.
Escolha o intérprete certo
- Certifique-se de que o intérprete seja certificado pela NAATI. Você pode verificar a certificação da NAATI pelo Número de Certificação do Profissional (CPN) do intérprete.
- Não utilize familiares ou amigos como intérpretes, mesmo que isso seja conveniente. Eles podem não ter imparcialidade, formação ou competência linguística, comprometendo a confidencialidade, a precisão e o profissionalismo.
- Confirme se o intérprete atende às necessidades da tarefa. Há preferência por algum sexo? É necessário que o intérprete tenha experiência em uma área específica, como a área da saúde ou a área jurídica?
Informe o intérprete
Sempre que possível, forneça um briefing ao intérprete antes da tarefa. Um briefing é quando você compartilha o objetivo da reunião, quem estará presente e quaisquer detalhes importantes que o intérprete deva saber. Mesmo uma conversa breve com o intérprete, antecipadamente, pode significar menos interrupções e uma comunicação mais fluida.
Um briefing pode incluir:
- Fornecer informações de contexto sobre o tema, os objetivos e os participantes.
- Informar sobre qualquer linguagem técnica, terminologia especializada ou jargões específicos para que o intérprete possa se preparar e interpretar com precisão.
- Informar se a reunião terá caráter emocional, técnico ou sensível.
Se a tarefa for complexa, dê ao intérprete tempo suficiente para se preparar e pesquisar, se possível. Essa preparação ajuda a garantir uma interpretação precisa e reduz a carga de trabalho do intérprete durante a sessão.
Planeje a logística
A interpretação presencial exige que você, o intérprete e o cliente estejam fisicamente no mesmo local. Organize os assentos para que o paciente, o intérprete e o médico formem um triângulo. Isso promove uma comunicação clara e garante a inclusão de todos.
Para interpretação em Auslan: o intérprete deve sentar-se ou ficar em pé ao lado do profissional de saúde e em frente ao paciente. Isso permite que o paciente surdo mantenha contato visual com o falante e observe a linguagem corporal. Em sessões mais longas, dois intérpretes podem revezar-se.
Telefone e videoconferência oferecem flexibilidade – o intérprete ou o cliente pode estar presente com você, ou cada pessoa pode estar em um local diferente. Certifique-se de que a tecnologia esteja funcionando corretamente antes do início da sessão.
Não se esqueça de reservar tempo extra para a interpretação. As conversas levarão mais tempo do que levariam em um único idioma.
Durante a sessão
O que fazer
- Certifique-se de que o intérprete e sua função sejam apresentados. Você pode começar com uma frase simples como: “Este é o nosso intérprete, que nos ajudará a nos comunicar hoje. Tudo o que dissermos será interpretado com precisão e confidencialidade.” O intérprete pode se apresentar. Lembre os participantes de que o intérprete falará na primeira pessoa (ou seja, “eu”, “nós”) para manter o fluxo natural da conversa.
- Fale diretamente com a outra pessoa, não com o intérprete. Diga “Como você está se sentindo hoje?” e não “Pergunte a ela como ela está se sentindo.” Mantenha contato visual com a outra pessoa, exceto se isso for culturalmente inadequado.
- Use linguagem clara e simples. Evite gírias, jargões, siglas ou comparações complexas. Faça pausas regulares para permitir o tempo de interpretação.
- Deixe o intérprete terminar antes de continuar. Isso garante precisão e evita sobrecarga de informação.
- Seja paciente. Alguns idiomas exigem mais ou menos palavras para transmitir o mesmo significado. Silêncios durante a interpretação podem ser normais.
- Esclareça quando necessário. Se algo parecer pouco claro, peça ao intérprete que repita ou explique. Incentive o intérprete a pedir esclarecimentos, se necessário. Caso o intérprete precise de uma explicação, peça que ele informe à outra pessoa o que está perguntando.
O que evitar
- Não interrompa o intérprete nem a outra pessoa no meio de uma frase. Interrupções podem causar confusão ou falhas de comunicação.
- Não peça opiniões ou conselhos ao intérprete. O papel dele é interpretar, não mediar, defender nem dar opiniões pessoais.
- Não mantenha conversas paralelas com o intérprete. O intérprete interpretará tudo o que for dito; portanto, não diga nada que não queira que seja interpretado para o outro idioma.
Após a sessão
- Se necessário, faça um balanço da sessão. Se necessário, faça um balanço da sessão. Converse com o intérprete se surgirem problemas ou se for preciso dar feedback. Esteja aberto a sugestões de melhoria. Intérpretes trabalham com diversos profissionais e podem oferecer conselhos úteis para aprimorar a comunicação em sessões futuras.
- Mantenha a confidencialidade. Trate as sessões interpretadas da mesma forma que trataria qualquer comunicação direta. Todas as informações compartilhadas permanecem confidenciais.
Recursos adicionais
Para mais informações sobre o trabalho com intérpretes, visite:
- Diretrizes gerais do AUSIT para o trabalho com intérpretes
- Diretrizes provisórias do Governo de Victoria: Como trabalhar com intérpretes e tradutores
- Diretrizes para intérpretes dos Serviços de Saúde de Queensland
- Diretrizes para os serviços linguísticos: Diretrizes dos serviços linguísticos do Governo Australiano